Profundidades da alma


“- 1,60m. Cabelos escuros. Olhos castanhos.
–  Eu não quero saber como você se parece.
– Mas como podemos nos conhecer?
– Eu conheço aquele lado seu que não tem nome. É isso o que somo, não?”

Ensaio sobre a cegueira.

Passamos tanto tempo olhando uns aos outros que esquecemos de olhar o que realmente somos. O tempo todo as pessoas observam aquilos que elas conseguem enxergar e pouco percebem aquilo que não se toca.

As efemeridades nos mantém numa proteção do superficial. Todos veem, chegam, beijam, usam e saem. Mas com quem estivemos a noite inteira, muitas vezes passa despercebido, foi aquele olhar que não viu a cicatriz da infância, que não entendeu o olho fechado naquela música, que não questionou o símbolo marcado na pele, e nem quis saber qual a razão da marca branca no dedo anelar.

Tudo é passageiro. Minha beleza, sua posição social e a nossa juventude. Olhe o essencial, pois sem isso a embalagem nada mais é do que uma garrafa pet.

Então antes de decidir sobre o que vê, lembre-se que a visão por vezes é ilusória. Tateie a vida, só assim você realmente sentirá algo.

Lila Carvalho

PS: Indico esse filme, muito!

Dentre várias manias estranhas, uma delas é observar. Observar qualquer coisa!

Às vezes, quando eu estou extremamente bem, eu gosto de ficar sozinha e por vezes eu sento em algum lugar público e paro para observar o ambiente. Como as pessoas se portam, como elas discretamente jogam o lixo no chão, ou como elas se comunicam intimamente em casal ou com um amigo. Observo também o comportamento dos meus amigos. Vejo qual tom de voz usam quando estão bem, que tipo de coisa eles fazem quando estão mal e até quando eles estão furiosos com qualquer coisa que seja, isso previne que eu tenha pequenos atritos, ou socorra alguém a tempo.

Dentre vários comportamentos, tem um que me chamou atenção: o auto-sabotamento.

Parece loucura, mas tem muita gente por aí que reclama com veemência da vida, dizendo que simplesmente não consegue ser feliz: o emprego é ruim, o companheiro não me trata bem, aquela minha amiga sempre fura quando preciso dela, minhas contas não param de aumentar, e etc. Entendo perfeitamente que a vida é feita de problemas superáveis e que nem tudo são flores, vitórias ou festas. Sempre tem AQUELA semana em que tudo parece dar errado e a vida dá rasteira em tudo o que planejamos. Todo mundo tem dias terríveis. Acredite, todo mundo!

Sobre o que eu quero tratar, é quando esse mal humor, pessimismo e os problemas tornam-se rotina. E as pessoas terminam por concluir que a vida deve ser feita de problemas e de lamúrias. Por muitos momentos, a gente (usarei o nós, pois também faço isso) enfia o pé na lama meio que propositalmente. Se aproxima de pessoas que não valem a pena, permanecem em empregos medíocres por achar que a vida é assim mesmo, ou começa um relacionamento claramente falido com a simples ideia de que, não merecemos a plena felicidade. E aí, meus amigos, está o auto-sabotamento.

Conheço gente que se recusa a assumir riscos por uma carreira promissora, e consequentemente, financeiramente estável, por medo de sei lá o quê. (Eu até suspeito, mas não entremos nesse tópico por enquanto.) Outros, só se envolvem a longo prazo com pessoas que tem escolhas de vidas opostas e se permitem apaixonar perdidamente por alguém que nunca vai concordar com suas escolhas, o que resulta num relacionamento fadado ao fracasso. E tem outros que reclamam pela falta de dinheiro, mas não abrem mão duma cerveja todos os dias, do jantar naquele restaurante caro, ou daquela roupa de marca que, desculpe-me quem se ofender, não acrescenta em nada a personalidade, capacidade ou vida de qualquer um.

Faz-me rir, né?

Não estou dizendo que é fácil perceber ou evitar a auto-sabotagem. Eu sofro mês após mês com meu “liseu”, por culpa do meu descontrole com um cartão de crédito na mão. Eu só sugiro que aprendamos a reconhecer o que queremos em nossas vidas e empenharmos arduamente nisso. Hum… Difícil, né? Acho que um bom começo seria reconhecer o que NÃO queremos para nossas vidas e trabalhar nossos comportamentos e escolhas em cima disso.

De que adianta, querer um namorado que não tenha crises de ciúmes, se você vive com aquela sainha e pendurada no pescoço daquele seu amigo que sempre deu, e sempre dará, em cima de você?

Adianta muito você sonhar com aquela super viagem, se você não se organiza para juntar a grana para tal?

Muito te serve sonhar com aquele salário, se você nunca se esforça um pouquinho mais no trabalho para se destacar ou conseguir um cargo um pouco melhor?

Muita gente reclama do que tem agora, mas não percebe que tudo o que acontece ao nosso redor são resultados de pequenas escolhas diárias que fazem. Independente em que área de sua vida você está infeliz. Tudo que nos acontece tem, no mínimo, 50% de nossa culpa. E, veja bem, estou sendo gentil, porque normalmente eu acredito que a porcentagem de culpa é muito mais próxima dos 100% do que a gente gostaria.

Agora a pergunta que eu te faço é a seguinte: Hoje, você escolhe se levantar e construir sua felicidade? Ou prefere ficar aí reclamando de qualquer coisa?

Uma vez um certo sábio me disse: Para ser feliz, você não precisa querer, você só precisa SER. 🙂

Pensando e repensando algumas coisas é bom perceber a mudança ao redor. Seja pra bom, ou seja pra ruim.

As mudanças de hábitos, de turma, de rotina, de bairro, de cidade, de país, nos proporciona a possibilidade de rever conceitos, de testar novamente todos os instrumentos de convivência que temos, de conhecer ao outro e, consequentemente, conhecermos novamente a nós mesmos.

Algumas pessoas tem medo das mudanças, pois só conseguem enxergar o lado rum delas, o lado do quê perdemos durante a mudança.

Perder o temos é triste, mas receber algo novo, é incrível! É como se livrar duma blusa que adoramos pra comprar outra. O guarda roupa é o mesmo, chega uma hora que não cabe mais tudo o que gostaríamos de guardar. Temos que nos livrar de algo que não nos serve mais, seja porque não cabe mais, ou seja porque não usamos mais, pra dar espaço a algo que realmente nos tenha serventia, que nos acrescente em algo.

Eu adoraria ter um guarda roupa infinito pra poder colocar tudo e mais um pouco que eu já tive, mas eu não sei como cuidar disso tudo. Uma hora a roupa ia se estragar pela falta de uso, pelo mofo e pó que iria acumular com os anos. Não adianta guardarmos algo que não usamos, ou que não nos serve, além de estragar pelo tempo, ele pode “contaminar” as outras roupas. Mofo se espalha de um jeito incrível, e teias de aranha só geram mais teias de aranha.

A mudança sempre vai ter seu lado ruim, mas ela nos proporciona ressurgimentos maravilhosos que a estagnação jamais conseguiria proporcionar.

Devemos abrir nossa mente e nosso coração para os novos tempos. Antes que eles também passem.

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Tem coisas que eu acho que acabo escrevendo porque custo muito a aprender. As pessoas, infelizmente, tem sua rotatividade, uma hora elas cansam de nós, e temos que aprender a lidar com isso.

Tudo na vida acaba, nada é eterno, nem o próprio tempo!

Lila Carvalho

‎”O amor ideal somente é forjado entre duas pessoas sinceras, maduras e independentes. A chave está esforço interior de polir estes atributos… O amor verdadeiro não é duas pessoas dependendo uma da outra;somente pode ser forjado entre duas pessoas seguras de sua individualidade.” Daisaku Ikeda

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As pessoas têm a crença de que o outro deverá viver para e pelo relacionamento. Com a ideia errônea de que temos posse dos seres, sendo que, na realidade, nunca teremos posse, sequer, de nós mesmos, o que dirá de outras pessoas?

A partir dessa mentalidade, surgem os ciumes descontrolados, as desconfianças e a falta de esforço para impressionar o outro todos dias, que é como se deve sustentar a relação.

As pessoas creem que prender uma pessoa é a melhor forma de mantê-la por perto, mas está totalmente errado. Eu comparo as pessoas aos felinos, pois os dois têm total liberdade de ir e vir, mas permanecem pelo simples desejo de permanecer.

Se você não dá ao seu gato conforto, alimento e carinho, ele poderá encontrar em outra casa nas suas andanças pelo mundo. Com o ser humano funciona do mesmo jeito. De nada adianta prender a pessoa o gato, pois quando ele se soltar das amarras, vai procurar um lugar melhor pra morar, uma companhia melhor pra acalentar.

Uma coisa tão óbvia e tão simples que a gente raramente para pra observar…

Esta citação me fez ter a certeza de que jamais devemos procurar o amor, ao contrário, que devemos nos preparar para quando um alguém nos apresentar o amor. Saber receber e viver o amor é a melhor maneira de conviver com as pessoas.

Lila Carvalho

A paixão que movimenta meu ser pra qualquer coisa que eu faça é a mesma que me movimenta até você.

É inevitável imaginar como seria. Principalmente por eu ter certeza de ser praticamente impossível a concretização dessa paixão que insiste, mas ao mesmo tempo não existe.

O tempo, ladrão de toda eternidade, me roubou essa possibilidade.

O tempo me roubou todas as chances de poder viver ao seu lado, como tínhamos planejado aquele dia.

De viajarmos pra aquela praia onde o vento sopra forte e as ondas lambem a areia com paixão e vivacidade.

De passarmos o feriadão na livraria, ou na praia, ou no bar, ou na cama, ou em qualquer outro lugar.

Verdade seja dita que eu tenho pensado muito em você, não por estar apaixonada, mas provavelmente por eu estar precisando de alguém semelhante a você e de preferência que seja completamente diferente.

Não tenho medo desses pensamentos, desses sonhos acordados. Afinal, você não corresponde ao que eu faço em sua direção.

Aliás, você nem percebe que o que eu faço é pra você. Melhor assim! Porque se você percebesse, provavelmente incitaria pra que eu acreditasse em algo que não existe. E meu coração minha cabeça não suportaria isso. Não mesmo!

Então eu faço essas declarações vazias de nome e enxertadas de todo o meu sentimento. Você nunca vai ler isso mesmo, ou será que vai? rs

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Um post muito, mas muito confuso. Não sei ao certo pra quem estou falando.  Talvez prum alter-ego que não conheço, ainda.  rs Paixão que me move sem necessidade de quem me mova, além de mim mesma.

Lila Carvalho

Os meus sonhos, percebo-os como películas criadas de maneira aleatória e improvisada.

Roteirista? Minhas vontades, sentimentos e qualquer coisa que pode ser chamada de esperança ou sonho. Ou qualquer coisa que eu tenha vontade de fazer e não possa, como beber nos últimos dias…

Diretores? Minha criatividade e subconsciente. Deste último, não faço a menor idéia do que esperar. Do primeiro, bem, ele é travesso, mas previsível pra mim e para os outros.

Espectadores? Ninguém. Às vezes nem eu mesma sei deles, e às vezes me vêm flashs sem razão ou motivo…

Enredo? Normalmente não tem sentido algum, mas porque haveriam de ter?

Alguém se arrisca qual será a próxima sessão? Talvez um filme de terror, ou um conto de fadas… Quem vai saber!

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Breve interpretação de um poema que fiz com mesmo título. Mas bem mais confusa…

“Os normais consideram e consideraram loucos todos aqueles que ousaram dizer algo que fosse contra a mídia (na Idade Média, a Igreja), ou contra as tradições. O maior medo dos “normais” é ter suas convicções de toda vida jogadas em terra em apenas um minuto, ou seja, os normais temem o conhecimento, pois este faz as pessoas se livrarem da concepção de que o material e o conformismo são bons.Mas os”normais”não compreendem que não há nada mais belo que o sofrimento, as crises de identidade, os amores destruídos, são essas tristezas que inspiram os poetas, os artistas, os gênios. É sempre uma glória ser chamado de louco. Os normais só ocupam mais espaço, são mais pessoas pra comer, beber, destruir e não fazer nada. Nascem, estudam, trabalham, casam, envelhecem e morrem. São só mais pó perdido no pó. Não ousam muito, por isso perdem pouco, ganham pouco, são pobres de espírito.”

Victor Reis

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Sem maiores comentários, o texto fala por si só! E eu agradeço pela minha consciência todos os dias, pois é ela que me movimenta…

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