“- 1,60m. Cabelos escuros. Olhos castanhos.
–  Eu não quero saber como você se parece.
– Mas como podemos nos conhecer?
– Eu conheço aquele lado seu que não tem nome. É isso o que somo, não?”

Ensaio sobre a cegueira.

Passamos tanto tempo olhando uns aos outros que esquecemos de olhar o que realmente somos. O tempo todo as pessoas observam aquilos que elas conseguem enxergar e pouco percebem aquilo que não se toca.

As efemeridades nos mantém numa proteção do superficial. Todos veem, chegam, beijam, usam e saem. Mas com quem estivemos a noite inteira, muitas vezes passa despercebido, foi aquele olhar que não viu a cicatriz da infância, que não entendeu o olho fechado naquela música, que não questionou o símbolo marcado na pele, e nem quis saber qual a razão da marca branca no dedo anelar.

Tudo é passageiro. Minha beleza, sua posição social e a nossa juventude. Olhe o essencial, pois sem isso a embalagem nada mais é do que uma garrafa pet.

Então antes de decidir sobre o que vê, lembre-se que a visão por vezes é ilusória. Tateie a vida, só assim você realmente sentirá algo.

Lila Carvalho

PS: Indico esse filme, muito!

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