setembro 2011


Acabei de assistir o filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, com Jim Carrey e Kate Winslet, e eu fico refletindo se existisse essa máquina, se eu iria utiliza-la. Penso e repenso e não consigo imaginar se a usaria, saberei se algum dia alguém criar…

As pessoas gostam de dizer que fariam as coisas de maneira diferente, que se pudesse voltar atrás teria feito diferente, que se soubesse que era daquela maneira teria feito diferente, mas de que adiantaria a vida afinal? Sem muitos dos nossos erros e enganos, jamais aprenderíamos a acertar de maneira diferente, de maneira mais “acertada”.

Não existiria evolução e viveríamos em eternos ciclos, com os  mesmos erros e as mesmas falhas. Jamais daríamos valor ao amor que temos atualmente se não tivéssemos perdido aquele do passado, ou se não sofrêssemos por aquele que não vale a pena.

Percebemos o que queremos, apenas quando conhecemos o que não queremos. Durante o filme, a atendente fala ao telefone sobre uma mulher que quer apagar a memória pela 3ª vez no mês, arrisco em dizer que os 3 fatos que ela apagou eram muito semelhantes.

Repetindo os mesmos erros, repetiríamos as relações, que, por sua vez, repetiria o resultado final. Permaneceríamos no ciclo de errar e apagar, errar e apagar, sem evoluir. E além do mais, sentimentos vão muito além de lembranças, estão muito mais ligados à expectativas e realizações do que à fatos, nos apaixonamos pelo jeito da pessoa, não por algo em específico que tenha feito. E quando algo que tenha feito nos leva à apaixonar, é justamente porque aquela pessoa teve a reação correta no momento que precisávamos daquela reação. Acho que mesmo apagando as memórias as pessoas poderiam se apaixonar, caso houvesse oportunidade, pela mesma pessoa quem escolheu apagar.

Os sentimentos vão muito além de lembranças e momentos, vem do que esperamos de alguém e do que aquela pessoa é.

E quanto mais eu penso nisso, mais tenho certeza de minhas escolhas. Bom, muito bom!

Lila Carvalho

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Analiso rostos
Relembro momentos, observo o que perdi
Revejo cenas e desejo que elas voltem
Percebo que há mais em você do que percebia
Me apaixono sem que você perceba
Troco outra ideia
Leio outro texto
Revivo conversas
Revejo toques, olhares
Me apaixonei de novo,
Mas o presente não te traz mais
O passado te levou de maneira suave
Sem que eu percebesse, você foi
Ou nunca esteve aqui realmente
Imagino cenas
Me perco em sonhos, planos
Me permito sonhar
Me apaixono mais um pouco,
Mas minha esperança não acaba
Quem sabe na próxima estação?
Quem sabe na próxima esquina?
Quem sabe na próxima reunião?
Ou algum encontro ao acaso?
Me permito sonhar,
Pois é o que me movimenta dia-a-dia!

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Sobre um provável futuro amor, ou apenas uma possibilidade.

Lila Carvalho

Pensando e repensando algumas coisas é bom perceber a mudança ao redor. Seja pra bom, ou seja pra ruim.

As mudanças de hábitos, de turma, de rotina, de bairro, de cidade, de país, nos proporciona a possibilidade de rever conceitos, de testar novamente todos os instrumentos de convivência que temos, de conhecer ao outro e, consequentemente, conhecermos novamente a nós mesmos.

Algumas pessoas tem medo das mudanças, pois só conseguem enxergar o lado rum delas, o lado do quê perdemos durante a mudança.

Perder o temos é triste, mas receber algo novo, é incrível! É como se livrar duma blusa que adoramos pra comprar outra. O guarda roupa é o mesmo, chega uma hora que não cabe mais tudo o que gostaríamos de guardar. Temos que nos livrar de algo que não nos serve mais, seja porque não cabe mais, ou seja porque não usamos mais, pra dar espaço a algo que realmente nos tenha serventia, que nos acrescente em algo.

Eu adoraria ter um guarda roupa infinito pra poder colocar tudo e mais um pouco que eu já tive, mas eu não sei como cuidar disso tudo. Uma hora a roupa ia se estragar pela falta de uso, pelo mofo e pó que iria acumular com os anos. Não adianta guardarmos algo que não usamos, ou que não nos serve, além de estragar pelo tempo, ele pode “contaminar” as outras roupas. Mofo se espalha de um jeito incrível, e teias de aranha só geram mais teias de aranha.

A mudança sempre vai ter seu lado ruim, mas ela nos proporciona ressurgimentos maravilhosos que a estagnação jamais conseguiria proporcionar.

Devemos abrir nossa mente e nosso coração para os novos tempos. Antes que eles também passem.

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Tem coisas que eu acho que acabo escrevendo porque custo muito a aprender. As pessoas, infelizmente, tem sua rotatividade, uma hora elas cansam de nós, e temos que aprender a lidar com isso.

Tudo na vida acaba, nada é eterno, nem o próprio tempo!

Lila Carvalho