"Faço longas cartas para ninguém, e o inverno no Leblon é quase glacial." Adriana Calcanhoto

"Faço longas cartas para ninguém, e o inverno no Leblon é quase glacial." Adriana Calcanhoto

“Eu sei que provavelmente estou apaixonada por você, mas isso não me incomoda. Aliás, nem sei ao certo que tipo de sentimento estou nutrindo por você, só sei que é algo divinamente maravilhoso quando brevemente correspondido, mas agora vejo que tudo isso é uma grande perda de tempo! Vejo bem que agora toda a sua mente e seu ser estão direcionados para algo que certamente não sou eu, e isso tem me incomodado muito e me enlouquecido bastante.

Não sei mais por qual razão escrevo essas palavras doidas e soltas. Queria escrever algo que te fizesse enxergar o que eu tenho de mais podre, para que finalmente se afaste de mim de uma vez por todas! Infelizmente tudo o que eu consigo apresentar a você é um poço de sinceridade e sentimento, um monte de mel que escorre ininterruptamente em sua direção, e você sequer percebe.

Estou loucamente “alguma coisa” por você, me controlo para não te procurar de qualquer maneira, mas eu simplesmente não consigo! De repente eu ligo meu celular e escrevo devaneios para ti, mas a coragem de enviá-los simplesmente me foge, como água entre os dedos, uma hora eu tenho e logo em seguida se vai!

Ah! Se as pessoas enxergassem tudo isso que se passa em minha mente, elas iam, no mínimo, me chamar de louca, e certamente iriam me julgar pro resto da minha vida de tudo o que aconteceu entre eu e você. Se é que já não julgam! Queria ter novamente aquela coragem que tinha momentos atrás, quem sabe eu finalmente mandaria algo a você descrevendo tudo o que se passa comigo, daí você poderia finalmente me dizer que não me quer, que tudo era só curtição e que eu fui apenas mais uma para você. Quem sabe assim eu poderia seguir feliz, ou infeliz… Tanto faz!

A última coisa que quero de você agora é pena, eu escrevo só para que você saiba disso tudo. Não quero que se preocupe comigo! Eu sei de meus sentimentos e sei que essa historia não terá um final feliz, não para mim…

A única coisa que quero de você agora é o seu sorriso malandro estampado no seu rosto novamente, e algumas horas ao meu lado fazendo absolutamente nada, ou fazendo tudo o que vier a cabeça. No final das contas para mim tanto faz!

Só se sente ao meu lado e sorria, você tem alguém que olha por ti!”

Natal, 10 de maio de 2009.

Carta para um certo alguém, escrito em devaneios por uma louca que nem sabe ao certo o que quer da vida, apenas tem certeza de que viveria essa história bizarra com sua total plenitude. Se lhe fosse permitido, é claro!

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