Acabei de assistir o filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, com Jim Carrey e Kate Winslet, e eu fico refletindo se existisse essa máquina, se eu iria utiliza-la. Penso e repenso e não consigo imaginar se a usaria, saberei se algum dia alguém criar…
As pessoas gostam de dizer que fariam as coisas de maneira diferente, que se pudesse voltar atrás teria feito diferente, que se soubesse que era daquela maneira teria feito diferente, mas de que adiantaria a vida afinal? Sem muitos dos nossos erros e enganos, jamais aprenderíamos a acertar de maneira diferente, de maneira mais “acertada”.
Não existiria evolução e viveríamos em eternos ciclos, com os mesmos erros e as mesmas falhas. Jamais daríamos valor ao amor que temos atualmente se não tivéssemos perdido aquele do passado, ou se não sofrêssemos por aquele que não vale a pena.
Percebemos o que queremos, apenas quando conhecemos o que não queremos. Durante o filme, a atendente fala ao telefone sobre uma mulher que quer apagar a memória pela 3ª vez no mês, arrisco em dizer que os 3 fatos que ela apagou eram muito semelhantes.
Repetindo os mesmos erros, repetiríamos as relações, que, por sua vez, repetiria o resultado final. Permaneceríamos no ciclo de errar e apagar, errar e apagar, sem evoluir. E além do mais, sentimentos vão muito além de lembranças, estão muito mais ligados à expectativas e realizações do que à fatos, nos apaixonamos pelo jeito da pessoa, não por algo em específico que tenha feito. E quando algo que tenha feito nos leva à apaixonar, é justamente porque aquela pessoa teve a reação correta no momento que precisávamos daquela reação. Acho que mesmo apagando as memórias as pessoas poderiam se apaixonar, caso houvesse oportunidade, pela mesma pessoa quem escolheu apagar.
Os sentimentos vão muito além de lembranças e momentos, vem do que esperamos de alguém e do que aquela pessoa é.
E quanto mais eu penso nisso, mais tenho certeza de minhas escolhas. Bom, muito bom!
Lila Carvalho
~~